Como ler rótulos alimentares e o que mudou com a nova legislação
Entender as informações das embalagens ajuda a fazer escolhas mais conscientes e vai muito além de conferir apenas as calorias dos alimentos
Quando o assunto é alimentação e compra de alimentos, muita gente decide na correria o que vai levar para casa olhando apenas as calorias indicadas na embalagem. Mas essa é apenas uma parte da informação. A leitura completa da rotulagem pode revelar muito mais: quantidade elevada de sódio, açúcar adicionado, gorduras saturadas e outros ingredientes que impactam a saúde quando consumidos em excesso.
As novas regras de rotulagem nutricional da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foram um passo para tornar mais clara essa leitura de rótulos. Elas entraram em vigor em 2022 e passaram a ser implementadas de forma gradual pela indústria de alimentos.
O que mudou na rotulagem nutricional?
– | Foto:(Reprodução/Intenet)
A atualização das regras de rotulagem nutricional trouxe mudanças importantes para facilitar a compreensão das informações presentes nas embalagens. Entre elas, estão a padronização da tabela nutricional, informações com letras maiores e mais fáceis de ler e a inclusão da rotulagem nutricional frontal, representada pelas lupas que alertam sobre o excesso de sódio, açúcares adicionados ou gordura saturada.
Segundo Celso Cukier, nutrólogo do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo (SP), o principal objetivo foi tornar a leitura mais simples para o consumidor.
“As mudanças mais importantes são referentes à qualidade e uniformização da rotulagem, tornando as letras mais densas, mais fáceis de leitura e a presença das lupas na frente das embalagens, salvo as exceções de alimentos culinários, por exemplo, álcool e alimentos in natura”, explica Cukier.
Outra mudança importante foi a inclusão das informações nutricionais por 100 g ou 100 ml do produto. Antes, os valores eram apresentados apenas por porção, que variava de um alimento para outro. Agora, com uma medida padrão, o consumidor consegue comparar diferentes marcas com mais facilidade e entender qual produto tem mais calorias ou nutrientes críticos.
Imagine dois sucos: um informa os nutrientes para 200 ml e outro para 150 ml. Compará-los diretamente pode ser confuso. Ao apresentar também os valores por 100 ml, ambos passam a usar a mesma referência, tornando a comparação muito mais simples.

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É preciso olhar além das calorias
Um alimento com poucas calorias nem sempre é a opção mais saudável. Esse é um dos principais equívocos na hora da compra, segundo o especialista. “O grande problema da leitura de quem compra e vê só as calorias é não enxergar a qualidade das calorias. Então, muitas vezes, é um alimento com poucas calorias, mas muito rico em sódio ou em em gordura saturada”, exemplifica.
Além do valor energético, vale observar a presença de nutrientes cujo consumo excessivo está associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, hipertensão, obesidade e diabetes.
“A gente tem que ressaltar que justamente o excesso de caloria saturada, de carboidrato simples, principalmente quando vem adicionado de açúcar, e o excesso de sódio são grandes vilões da nossa saúde a médio e longo prazo”, alerta o nutrólogo.
A lista de ingredientes na rotulagem também merece atenção
Além da tabela nutricional, a lista de ingredientes traz informações importantes sobre a composição do alimento. Produtos ultraprocessados costumam conter conservantes, estabilizantes, corantes e adoçantes que, embora aprovados para consumo, podem causar reações em pessoas mais sensíveis.
“Devemos nos atentar que os produtos que são industrializados costumam conter outras substâncias, não apenas esses nutrientes que valem ser identificados, mas uma série de substâncias conservantes e estabilizantes, que, embora seja raro, alguns indivíduos podem apresentar algumas reações alérgicas”, explica Cukier.
Ele também destaca que alguns produtos, especialmente os diet, podem conter polióis, adoçantes que, em pessoas mais sensíveis, podem causar algum tipo de intolerância ou desconforto gastrointestinal.
Fazer boas escolhas começa pela informação
A leitura dos rótulos é uma ferramenta importante para quem deseja manter uma alimentação equilibrada. No entanto, ela deve caminhar junto com uma preferência por alimentos frescos e minimamente processados.
“É bom lembrar que a alimentação in natura acaba tendo melhor qualidade, que devemos procurar reduzir o consumo de carboidratos simples e trocá-los, quando possível, por opções integrais, tomar cuidado com os excessos da gordura saturada, que são as gorduras de origem animal ou aquelas trabalhadas hidrogenadas, muito utilizadas pelos alimentos industrializados, e se atentar também do excesso de consumo sal”, orienta o médico.
O que observar no rótulo antes de comprar
Antes de colocar um alimento no carrinho, vale conferir alguns pontos:
– as lupas na parte frontal, que indicam excesso de açúcar adicionado, gordura saturada ou sódio;
– a tabela nutricional, observando não apenas as calorias, mas também a quantidade desses nutrientes;
– a lista de ingredientes, priorizando produtos com menos ingredientes e ingredientes mais conhecidos;
– sempre que possível, dar preferência a alimentos in natura ou minimamente processados, que costumam apresentar melhor qualidade nutricional.
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Publicado em 13/07/2026
Revisado em 08/07/2026
Por: Tarima Nistal é jornalista e especialista em comunicação digital e marketing. Interessa-se por questões relacionadas à saúde das mulheres, alimentação saudável e meio ambiente.
Fonte: Celso Cukier, nutrólogo do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo (SP)
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
Transcrito: https://drauziovarella.uol.com.br/alimentacao/como-ler-rotulos-alimentares-e-o-que-mudou-com-a-nova-legislacao/


