Bacon, salsicha… e câncer: médicos pedem selo de advertência sobre a doença em embutidos
Comitê de experts americanos formula petição para alterar rótulos de carnes processadas e conscientizar população sobre prevenção de tumores de intestino
Bacon, salsicha, linguiça, presunto, peito de peru… Uma entidade médica dos Estados Unidos entrou na Justiça para que o governo passe a exigir selos de advertência na embalagem dos alimentos que compõem a categoria dos embutidos e carnes processadas. O motivo? A associação entre o consumo desses produtos com o maior risco de câncer colorretal.
Bacon e companhia na mira: estudos associam consumo regular a maior risco de câncer colorretal | Foto: (Reprodução/Internet)
Na petição oficial, o Physicians Committee for Responsible Medicine (Comitê de Médicos para a Medicina Responsável, na tradução) alega que esses alimentos são classificados por órgãos oficiais como “cancerígenos” e já existem fortes evidências de que a ingestão regular aumente a propensão a tumores do aparelho digestivo.
Além disso, o grupo independente chama a atenção para o crescimento dos casos e mortes por câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos – pesquisas sugerem que ele pode estar relacionado a uma alimentação desequilibrada, inclusive com a presença de carne processada. Nos Estados Unidos, esse tipo de tumor já é a principal causa de óbito por câncer em indivíduos abaixo dos 50.
A defesa de um “alerta” na embalagem dos embutidos é embasada na classificação da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), que é ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS) e considera, desde 2015, a carne processada como “cancerígena para humanos”.

Conheça a nossa linha de produtos na pagina em exibição no INSTAGRAM clique na imagem acima
A ligação entre embutidos e câncer
De fato, não faltam estudos acusando o papel prejudicial do consumo desses alimentos ao organismo. O comitê americano cita uma revisão de pesquisas que concluiu que, a cada porção de 50 gramas de carne processada (o equivalente a um hot dog) por dia, há um aumento de quase 20% no risco de desenvolver câncer colorretal ao longo da vida.
Outro trabalho, publicado na revista científica Nutrition and Cancer, aponta que, entre pessoas com menos de 50 anos diagnosticadas com a doença, havia uma probabilidade significativamente maior de se ingerir uma grande quantidade desses produtos na rotina.
Para complicar a situação, um levantamento encomendado pelo próprio comitê descobriu que quase metade dos americanos desconhece a ligação entre embutidos e o risco de câncer.
A nova iniciativa também se ampara numa lei federal americana que exige que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) inspecione e diga à população se os produtos alimentícios são próprios e saudáveis para consumo. A petição formal foi endereçada justamente a esse órgão vinculado ao governo.
Para corrigir o que se considera um problema com potencial de induzir a população a escolhas equivocadas, a entidade médica argumenta que mudanças nos rótulos dos embutidos são “urgentemente necessárias”. Por isso, indica que eles passem a estampar um selo com a advertência: “Este produto pode aumentar o risco de câncer colorretal”.
Agora o pedido será analisado pelos órgãos competentes nos EUA. Se a alteração no rótulo for aprovada, terá implicações importantes para a indústria e o mercado e poderá inspirar medidas semelhantes em outras nações, como o Brasil.
Compartilhe com os amigos essa matéria via:
WhatsApp Face Book e Telegram
Por: Diogo Sponchiato
Fonte: Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc)
Organização Mundial da Saúde (OMS)
Departamento de Agricultura dos EUA (USDA)
Transcrito: https://saude.abril.com.br/medicina/bacon-salsicha-e-cancer-medicos-pedem-selo-de-advertencia-sobre-a-doenca-em-embutidos/



