Por que algumas pessoas envelhecem mais rápido do que outras
Cabelos brancos, rugas, audição mais fraca, alguns centímetros a menos de altura. Quando pensamos no envelhecimento, costuma surgir a imagem de um roteiro inevitável que todos seguiremos da mesma forma. A ciência, porém, mostra que não é bem assim.
Embora o envelhecimento seja um processo natural, ele não acontece no mesmo ritmo para todo mundo. Genética, hábitos de vida, acesso à saúde e presença de doenças influenciam profundamente a forma como cada pessoa envelhece. A boa notícia é que muitos dos efeitos associados à idade podem ser retardados ou ao menos amenizados por escolhas feitas ao longo da vida.
Genética, estilo de vida e acesso à saúde ajudam a explicar por que pessoas da mesma idade podem envelhecer de formas muito diferentes – | Foto:(Reprodução/Internet)
Essa diferença foi evidenciada por um estudo da Universidade Duke, publicado em 2015 na revista PNAS. Os pesquisadores concluíram que pessoas com a mesma idade cronológica podem apresentar ritmos de envelhecimento biológico muito distintos influenciados pelo estado de saúde.
Em alguns casos, indivíduos envelheciam biologicamente até três anos para cada ano vivido e chegavam a aparentar ser 20 anos mais velhos, além de apresentar pior desempenho cognitivo, mais dificuldades de equilíbrio e maior risco de demência.

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O envelhecimento não acontece da mesma forma para todos
O passar dos anos provoca mudanças em praticamente todos os sistemas do organismo, mas a intensidade dessas transformações varia bastante.
Na pele, por exemplo, algumas pintas tendem a clarear ou desaparecer, enquanto manchas solares, pintas vermelhas e verrugas seborreicas costumam se tornar mais frequentes. Ainda assim, nem toda alteração cutânea faz parte do envelhecimento normal, o que torna importante a avaliação médica.
O mesmo vale para a visão e a audição. Algum grau de perda visual é esperado com a idade, mas muitos problemas podem ser tratados quando identificados precocemente. Catarata e glaucoma estão entre os exemplos mais conhecidos. Já doenças como degeneração macular, retinopatia diabética e descolamento de retina podem comprometer seriamente a visão.
A audição também tende a diminuir ao longo do tempo, embora a velocidade dessa perda varie bastante entre as pessoas. E nem sempre quem poderia se beneficiar de tecnologias como implantes auditivos consegue ter acesso a elas.
O que dá para evitar ou retardar
A imagem clássica do idoso curvado não é uma consequência inevitável da passagem do tempo. A falta de fortalecimento muscular, especialmente da região abdominal e das costas, reduz a capacidade de sustentação do tronco e favorece alterações posturais.
A osteoporose também desempenha um papel importante. Com o enfraquecimento dos ossos, vértebras podem sofrer deformações e pequenos afundamentos, contribuindo para a postura encurvada.
Nas articulações, fatores genéticos se somam aos hábitos acumulados ao longo da vida. Obesidade, sobrecarga mecânica e movimentos repetitivos podem acelerar desgastes e deformidades em mãos e pés. É o caso de algumas formas de artrose e dos joanetes, cujo risco aumenta em pessoas predispostas que passam décadas usando sapatos de bico fino e salto alto.
Os dentes seguem uma lógica parecida. Envelhecer não significa necessariamente perdê-los. Na maioria das vezes, a perda dentária está relacionada a problemas de saúde bucal acumulados ao longo da vida. Preservar a dentição ajuda inclusive na digestão, já que o organismo produz menos ácido clorídrico no estômago e enzimas digestivas com o avanço da idade. Os dentes auxiliam na trituração e na boa absorção dos nutrientes.
O que a idade cobra de quase todo mundo
Algumas mudanças, porém, são praticamente universais. Rugas, perda de elasticidade da pele, redução da densidade dos cabelos e fios brancos aparecem em maior ou menor grau na maioria das pessoas.
A exposição excessiva ao sol, o tabagismo, a poluição, a falta de sono e a hidratação inadequada podem acelerar esses processos, tornando-os mais visíveis.
Outra característica curiosa é a impressão de que nariz e orelhas continuam crescendo ao longo da vida. Na verdade, essas estruturas já completaram seu desenvolvimento na adolescência. O que acontece é uma combinação de perda de colágeno, flacidez dos tecidos e ação da gravidade, que as faz parecer maiores com o passar dos anos.
O esqueleto também sofre alterações graduais. A perda de massa óssea e a desidratação dos discos intervertebrais fazem com que muitas pessoas encolham alguns centímetros ao longo das décadas. Após os 40 ou 50 anos, perder cerca de um centímetro de altura por década é considerado normal.
Em relação aos sentidos, as estatísticas são contundentes. A catarata afeta praticamente todas as pessoas que chegam aos 90 anos, enquanto cerca de 70% apresentam algum grau de perda auditiva nessa faixa etária.
Ainda assim, envelhecer não significa acumular limitações. Exercícios físicos regulares, alimentação equilibrada, sono de qualidade, vida social ativa, controle das doenças crônicas e acompanhamento médico continuam sendo as ferramentas mais eficazes para chegar à velhice com mais autonomia e qualidade de vida.
*Com informações de reportagem publicada em 14/01/2022.
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Por: Maraisa Bueno
Fonte: Universidade Duke ( Estados Unidos )
Transcrito: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2026/06/21/corcunda-rugas-e-falta-de-dente-o-que-e-inevitavel-ao-envelhecer.ghtm


