Seu corpo falou. Mas será que você entendeu?
Todo corredor já ouviu a frase: escute seu corpo. Mas, será que é tão simples assim?
Durante uma corrida, o corpo envia informações o tempo todo. De forma simplificada, o sistema nervoso percebe e integra sinais provenientes do interior do organismo, tais como, alterações no batimento cardíaco, na respiração, térmicas e outras mudanças relacionadas ao estado corporal. A isso chamamos de interocepção. Durante a corrida, essas informações chegam continuamente ao cérebro. Mas o corredor não experimenta cada sinal isoladamente. O cérebro integra as informações do corpo com o contexto, experiências anteriores, expectativas e aquilo que ainda será exigido naquela atividade.
– | Foto:(Reprodução/Internet)
o tempo, o fortalecimento mental era associado à capacidade de suportar desconforto, aguentando, sem pensar, só continuando.
Mas hoje sabemos que não é assim. Claro que tolerar o desconforto é uma habilidade importante nos esportes de endurance. Mas força mental não é ignorar os sinais corporais. E no extremo oposto, achar que todo o sinal é perigo também não é força mental. Como o cérebro interpreta as informações utilizando da história do atleta, experiências de lesão, podem fazer com que o corredor fique mais atento àquela região do corpo. E ainda temos as crenças construídas com dificuldades de provas anteriores que também podem interferir.

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A sensação é real. Mas como interpretar?
Por isso, a importância de saber escutar o corpo.
Mas como fazer isso?
Perceber, interpretar e responder.
1- O que estou sentindo? Descreva a sensação sem julgamentos.
2- O que estou entendendo dessa sensação? O que significa?
3- Qual a resposta mais adequada nesse momento?
Talvez seja melhor continuar, mas reduzindo o ritmo. Observar alguns minutos. E dependendo dos sinais, parar.
Escutar o corpo não significa obedecer ao medo, assim como força mental não significa ignorar o corpo. Com experiência, o corredor começa a construir uma espécie de repertório interno. Ele aprende como o seu corpo costuma responder em uma subida. Reconhece o desconforto de um treino intenso. Percebe quando a ansiedade antes da largada modifica sua respiração. Aprende que determinados sinais passam e que outros merecem mais atenção.
Talvez uma das formas mais sofisticadas de evolução na corrida não apareça no pace. Apareça na capacidade de distinguir sensação de ameaça, desconforto de perigo e esforço de limite.
Por que correr bem não é apenas ensinar o corpo a suportar mais. É também ensinar a mente a interpretar melhor aquilo que o corpo comunica.
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Por: Wania Rennó
Fonte: Wania Rennó é psicóloga clínica do esporte, atuando como diretora Núcleo de Integralização Humana (Nihumana) e mais de 35 anos atendendo praticantes de diferentes modalidades desportivas.
Transcrito: https://webrun.com.br/seu-corpo-falou-mas-sera-que-voce-entendeu/


