Estudo aponta qual a frequência ideal de exercícios isométricos para baixar pressão arterial
Segundo os pesquisadores, resultados podem ser úteis especialmente para populações com baixa adesão ou tolerância limitada ao exercício físico
Eles são simples, versáteis e podem reduzir a pressão arterial. Os exercícios isométricos são considerados uma intervenção eficaz para ajudar pacientes com hipertensão leve, desde que sejam incorporados à rotina.
Um estudo publicado na revista científica BMJ na terça-feira, 29, investigou qual é a dose mínima desse tipo de exercício necessária para obter benefícios duradouros da prática, que inclui, por exemplo, o agachamento isométrico na parede e a prancha abdominal.
Segundo os pesquisadores, trabalhos anteriores já demonstraram que o treinamento isométrico é eficaz para a redução da pressão arterial em repouso. Além disso, esse tipo de exercício tem uma alta taxa de adesão a longo prazo.
“Prancha”: exercícios isométricos podem ajudar na redução da pressão arterial em repouso – | Foto:(Heather Jacoby | Unsplash)
No entanto, diz o estudo, é realista esperar que ocorram períodos de interrupção do treinamento ou inatividade, como pode acontecer durante viagens, doenças de curta duração ou flutuações na motivação.
“A aplicação de programas de treinamento físico sem uma compreensão suficiente da relação dose-resposta pode resultar em expectativas irrealistas e terapias de exercícios ineficientes”, escreveram os autores.
Eles apontam que os efeitos positivos de um programa de exercícios isométricos só são alcançados se o volume e a intensidade recomendados forem seguidos com constância.
O estudo é considerado a primeira evidência robusta sobre como diferentes doses de treinamento isométrico afetam tanto a pressão arterial quanto outros mecanismos cardiovasculares relacionados.

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Como o estudo foi feito
A pesquisa recrutou 100 adultos com idade média de 37 anos que tinham pressão arterial normal ou se encaixavam na classificação “normal-alta” (intervalo de 120 a 140 mmHg) e que não praticavam exercícios físicos regularmente.
Só podiam participar do estudo pessoas que não apresentassem lesões ou doenças, não fossem fumantes e não consumissem mais de 14 unidades de álcool por semana, o equivalente a 6 canecas de cerveja de teor alcoólico médio. Quem estivesse fazendo uso de medicamentos anti-hipertensivos ou já tivesse recebido esse tipo de remédio alguma vez na vida também foi excluído.
Os participantes foram distribuídos aleatoriamente em cinco grupos: um grupo de controle e quatro grupos que seguiram o mesmo programa inicial de exercícios isométricos para a parte inferior do corpo, com duração de quatro semanas, realizados em casa.
O programa de exercícios consistia em quatro séries de exercícios isométricos de agachamento na parede, separadas por dois minutos de repouso sentado. A orientação era repetir a sequência três vezes por semana e com 48 horas de intervalo entre cada sessão.
Já nas quatro semanas seguintes, os participantes foram divididos em quatro grupos com diferentes planos de treinamento.
Enquanto um grupo continuou se exercitando três vezes por semana, um segundo grupo passou a seguir o protocolo duas vezes por semana e um terceiro grupo fez os exercícios apenas uma vez por semana. O quarto grupo, por sua vez, parou definitivamente de seguir o programa.
Os pesquisadores mediram vários indicadores de saúde dos voluntários, como pressão arterial e frequência cardíaca, tanto no início do estudo quanto após quatro e oito semanas.
O que os pesquisadores descobriram
Segundo o estudo, todos os grupos que realizaram o programa inicial de exercícios de quatro semanas apresentaram reduções significativas na pressão arterial sistólica, na pressão arterial diastólica e na pressão arterial média após quatro semanas, em comparação com o grupo de controle.
A pressão arterial sistólica se refere à força do sangue sendo bombeado para o corpo no momento da batida cardíaca (sístole). Em uma leitura de “12 por 8” (120/80 mmHg), por exemplo, a pressão sistólica é o 120 (ou 12).
Já a pressão diastólica é o número mais baixo de uma leitura de pressão arterial (a “mínima”), que seria o 80 (ou 8) neste exemplo. Ela mede a força do sangue contra as paredes das artérias enquanto o coração relaxa entre os batimentos. E a pressão arterial média é a pressão média exercida pelo sangue nas artérias durante um ciclo cardíaco completo.
Após oito semanas, os grupos que realizaram o treinamento intervalado de alta intensidade uma ou duas vezes por semana conseguiram manterreduções significativas na pressão arterial sistólica e na pressão arterial média, mas não na pressão diastólica, em comparação com o grupo de controle.
Segundo o estudo, os participantes que seguiram o treinamento intervalado de alta intensidade 3 vezes por semana obtiveram as maiores reduções na pressão arterial sistólica em repouso em comparação com o valor basal.
Eles tiveram uma redução de 13,73 mmHg, seguidos pelo grupo que seguiu o treinamento 2 vezes por semana (−6,95 mmHg) e, por fim, 1 vez por semana (−6,56 mmHg).
Vale lembrar que o estudo foi realizado com pessoas que não têm hipertensão. Para quem tem a condição, os exercícios isométricos não substituem o tratamento medicamentoso, mas podem ser utilizados como um complemento.
O grupo que treinou três vezes por semana não só demonstrou as maiores reduções na pressão arterial sistólica e na pressão arterial média, como também os maiores avanços nas funções vascular e autonômica, que trabalham juntas para controlar a pressão arterial e o fluxo de sangue no corpo.
“Notavelmente, não foram observadas diferenças significativas entre 1 e 2 vezes por semana, sugerindo que não há benefício adicional em relação a 1 vez por semana, a menos que o treinamento seja seja mantido em 3 vezes por semana”, afirma o estudo.
“Em contraste, a interrupção do treinamento levou a reduções na pressão arterial não significativamente diferentes do grupo de controle em 4 semanas, confirmando que a frequência ≥1 vez por semana é necessária para manter os benefícios“, acrescentam os autores.
Implicações práticas
Segundo os pesquisadores, os dados sugerem que a duração total do treinamento desempenha um papel importante na durabilidade dos benefícios cardiovasculares.
O estudo aponta que o treinamento intervalado de alta intensidade realizado por 8 semanas ou mais demonstrou induzir alterações vasculares estruturais, como aumento do diâmetro arterial e redução da espessura da parede.
Já intervenções de menor duração (≤4 semanas) tendem a provocar adaptações vasculares funcionais, que demonstraram reverter rapidamente após a interrupção do treinamento, advertem os autores.
“Nossos resultados demonstram que as reduções na pressão arterial sistólica (PAS) e na pressão arterial média (PAM) podem ser mantidas por até 4 semanas com apenas 1 ou 2 sessões de treinamento intervalado de alta intensidade por semana. Para indivíduos que não podem se comprometer com uma frequência de treinamento mais alta, mesmo um engajamento mínimo (1 vez por semana) pode ajudar a manter benefícios significativos na PAS e na PAM durante um curto período de 4 semanas”, diz o estudo.
“No entanto, para reduções ótimas na pressão arterial e a manutenção de uma gama mais ampla de adaptações fisiológicas, uma frequência de 3 vezes por semana pode ser recomendada“, acrescentam os autorores.
Os pesquisadores apontam que um dos principais pontos fortes do estudo é que ele representa uma das maiores investigações do gênero, além de incluir mulheres, o que aumenta a generalização dos resultados.
Uma limitação do trabalho é que o período de acompanhamento da fase de manutenção foi de apenas quatro semanas, sendo necessários mais estudos de longo prazo.
Segundo os autores, os resultados podem contribuir para debates sobre políticas públicas relacionadas a intervenções de exercício físico viáveis e escaláveis para populações com baixa adesão ou tolerância limitada ao exercício.
“Ao estabelecer a dose mínima eficaz necessária para manter a redução da pressão arterial, o presente estudo fornece uma base de evidências crucial para o desenvolvimento de pesquisas mais pragmáticas e ecologicamente válidas”, afirmam.
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Por: Camila Mazzotto
Fonte: Saúde Veja
Transcrito: https://veja.abril.com.br/saude/estudo-aponta-qual-a-frequencia-ideal-de-exercicios-isometricos-para-baixar-pressao-arterial/


