Treinar em jejum emagrece mais? Entenda o que diz a ciência
Estudos apontam benefícios para quem busca emagrecimento, mas mostram que o desempenho e a queima de gordura dependem de múltiplos fatores
Treinar em jejum pode aumentar a oxidação de gordura e melhorar processos metabólicos, mas isso não garante maior emagrecimento. Pesquisas indicam que, em muitos casos, fazer exercícios com alimentação regular promove resultados semelhantes na queima de gordura. A escolha da estratégia deve levar em consideração alguns fatores.
Jejum pode aumentar a fadiga e levar a uma maior busca por comida após o treino – | Foto:(Reprodução/GettyImages
A eficiência do jejum para o emagrecimento e seus efeitos na prática de atividades físicas ainda são temas discutidos entre especialistas. É recomendável que o tratamento seja prescrito e acompanhado por um profissional da área, como nutricionistas e médicos endocrinologistas.
O que as pesquisas dizem?
Em tese, a prática regular de exercícios aumenta a demanda do corpo por energia, ampliando a utilização de gordura como fonte energética. A queima de gordura, no entanto, não é determinada apenas pelo jejum – é multifatorial.
Fatores como a intensidade do exercício, disponibilidade de carboidratos, experiência de treino e aspectos hormonais interferem na preferência do organismo pela gordura como fonte de energia. Uma refeição leve antes do treino pode ser uma estratégia para otimizar este uso.
Por outro lado, longos períodos sem se alimentar adequadamente podem levar à hipoglicemia, devido a baixa quantidade de glicose no sangue.
Em uma pesquisa australiana, a restrição à alimentação apresentou maior redução de peso e de massa gorda, mas também maior perda de massa magra. O treino de força, no entanto, mostrou-se eficaz na preservação da massa muscular durante os períodos de jejum.
O jejum pode oferecer benefícios metabólicos em situações específicas, mas não é necessariamente superior para o emagrecimento. A depender da intensidade e do objetivo, treinar alimentado pode ser uma opção melhor para resultados com saúde.

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Desempenho físico
Pode haver situações em que a falta de alimentação não altera a performance. Em testes, a musculação em jejum não reduziu a capacidade de executar o treino nem a produção de força, embora tenha aumentado a sensação de fome e diminuído a saciedade – algo que pode se tornar um problema para quem se preocupa com o peso, ao aumentar a busca por comida após o treino.
Por outro lado, em exercícios de alta intensidade e de resistência, o jejum pode prejudicar o rendimento devido à redução do glicogênio muscular e ao aumento da glicogenólise para manter a glicose disponível.
Níveis baixos de glicemia também podem gerar fadiga durante o treino de força, o que reforça a importância do consumo de carboidratos antes da atividade para melhorar o desempenho e a recuperação muscular.
O desempenho físico em jejum varia varia conforme o tipo de treino e as características individuais, tornando fundamental que a prática seja orientada por especialistas.
O que é o jejum?
O jejum é uma estratégia alimentar caracterizada por períodos sem comer. Na prática, significa permanecer várias horas do dia sem consumir alimentos – geralmente entre 12 a 16 horas, podendo chegar a 24.
O objetivo do jejum é criar um déficit energético ao longo do tempo, já que o organismo nem sempre consegue compensar na alimentação todas as calorias que deixaram de ser consumidas durante o período sem comer.
No entanto, diferentes estudos vêm apontando que restrições alimentares como a provocada pelo jejum podem acabar tendo impactos negativos e opostos ao desejado com o tempo, aumentando a propensão a episódios futuros de compulsão alimentar.
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Por: Vicenti Ciotta
Fonte: Veja Saúde
Transcrito: https://saude.abril.com.br/fitness/treinar-em-jejum-emagrece-mais-entenda-o-que-diz-a-ciencia/


