Correr sem tênis pode ser perigoso? Veja dicas e entenda riscos
Especialistas orientam que a prática de treinar descaço ou de chinelo exige adaptação e muito cuidado
Nos últimos dias, viralizou o vídeo de um rapaz embriagado correndo uma prova de rua de 8 km usando chinelos. A cena, embora engraçada à primeira vista, acendeu um alerta entre profissionais da saúde e do esporte. Afinal, correr sem um calçado adequado pode até parecer uma escolha espontânea (ou econômica), mas pode ser também um convite a lesões e complicações mais sérias.
Correr descalço ou de chinelo não é novidade. Movimentos como o “barefoot running” (corrida descalça) já circulam há anos entre atletas que buscam uma conexão mais natural com o solo. No entanto, especialistas reforçam que a prática é diferente, e exige preparo, adaptação e muito cuidado. O EU Atleta conversou com diversos profissionais da área, para te explicar a questão mais a fundo! Acompanhe a seguir.
É possível correr sem tênis? Existem riscos?
Isaque dos Santos, corredor embriagado e de chinelo durante prova no Pará — Foto: Divulgação
O ortopedista Dr. Caio Ruótolo, alerta que correr de chinelo, descalço ou sem proteção adequada expõe o corpo a impactos diretos e irregulares.
– Correr descalço pode ser seguro em alguns contextos muito específicos, como terrenos regulares, sem obstáculos ou detritos, como grama bem cuidada, areia firme ou pistas específicas para corrida natural. O corpo precisa de tempo para se ajustar à ausência de amortecimento e suporte do tênis. Correr de chinelo já não é recomendado, porque o calçado não tem fixação adequada ao pé, o que aumenta o risco de tropeços, torções e quedas – diz.

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As lesões mais comuns nesse tipo de prática são:
– Fascite plantar;
– Tendinites (especialmente no tendão de Aquiles);
– Entorses de tornozelo;
– Fraturas por estresse;
– Cortes e feridas no pé.
Além disso, Cesar Janovsky, ortopedista especialista em reabilitação de atletas de alto rendimento, completa:
– Corredores descalços geralmente adotam uma pisada com o antepé, que reduz o pico de impacto, mas exige muito mais dos músculos e tendões. Sem preparo, essa demanda pode facilmente virar lesão – explica.
O que diz a Sociedade Brasileira de Atroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE)
Segundo Vitor Miranda, especialista em cirurgia de pé e tornozelo e representante da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE), embora exista um fascínio pela corrida natural, ela deve ser pensada dentro da individualidade de cada pessoa, e de cada corpo.
– Não é qualquer um que vai conseguir se adaptar a fazer essa atividade. Então, o tênis, ele não só protege das intempéries do terreno, mas ele também estabiliza o pé, aumenta e melhora a performance – destaca.
E, quanto a correr de chinelo, como no vídeo, Vitor é taxativo:
– Não existe correr de chinelo. O rapaz que viralizou foi uma coisa muito fora da curva. Contudo, deve ser observado o terreno e se prevenir com relação aos riscos de lesão nos pés – alerta.
Como e quando correr descalço
Casal correndo descalço | Foto: (Reprodução/Internet)
É necessário muito cuidado e a adaptação correta da prática.
– A adaptação deve ser gradual, pois a transição exige um período de ajuste. Inicialmente, sessões curtas, de 10 a 15 minutos, em superfícies seguras são recomendadas para fortalecer a musculatura intrínseca do pé, o equilíbrio e a fáscia plantar. A progressão precisa ser lenta para permitir que o sistema musculoesquelético se ajuste à nova mecânica de impacto – orienta o médico do esporte Diego Martuscelli.
E, para a fisioterapeuta esportiva Ayexa Cruz, correr descalço pode trazer ainda outros benefícios:
– É uma boa opção que seja feito em momentos de retorno às atividades após lesão, ou quando precisamos variar estímulos, pois fazer essa variação de solo é ótimo para respostas neuromotoras – comenta.
Resumindo: quando faz sentido correr descalço?
– Em gramados bem cuidados;
– Na areia da praia;
– Em trilhas seguras e limpas;
– Para variação motora e fortalecimento dos pés.
E, mesmo nesses cenários, é importante ser supervisionado por um profissional.
Dicas para quem quer experimentar
Se mesmo assim você deseja testar a corrida descalço, algumas orientações devem ser levadas em consideração:
– Consulte um especialista (ortopedista, fisioterapeuta ou médico do esporte);
– Faça um teste de pisada e análise biomecânica;
– Comece na grama ou areia, com caminhadas curtas;
– Fortaleça a musculatura dos pés e tornozelos;
– Progrida lentamente, aumentando tempo e intensidade;
– Fique atento à dor – dor persistente não é normal;
– Evite terrenos irregulares ou urbanos.
O ideal é investir em um calçado adequado, buscar orientação profissional e, se quiser experimentar a corrida descalça, fazer isso com segurança e responsabilidade. Correr é um excelente exercício, mas, sem os cuidados certos, pode virar lesão.
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Por: Fernanda Lagoeiro, para o EU Atleta — Campinas ,SP
Fonte: Ayexa Cruz é fisioterapeuta formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e mestranda em Educação Física. Já atuou como fisioterapeuta da Marinha do Brasil, e atualmente é sócia idealizadora do Método TCF (Treinamento Cardiorrespiratório para Fisioterapeutas), além de membra da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e Atividade Física;
Diego Martuscelli é médico do esporte e ortopedista, com especialização em cirurgia do joelho;
Caio Fernandes Ruótolo é médico especialista em Ortopedia e Traumatologia, cirurgia do joelho, medicina esportiva e reabilitação músculo-esquelética. É membro titular da SBOT, SBRATE e SLARD;
Cesar Janovsky é médico ortopedista, epecialista em cirurgia do joelho e traumatologia do esporte pela Escola Paulista – UNIFESP. É diretor da Janovsky Ortopedia e do Instituto Transforma Esporte. Atua com medicina esportiva, inovação em tratamentos ortobiológicos (células-tronco) e reabilitação de atletas de alto rendimento;
Vitor Miranda é especialista em cirurgia de pé e tornozelo e membro da SBRATE (Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte).
Transcrito: https://ge.globo.com/eu-atleta/treinos/reportagem/2025/08/11/c-correr-sem-tenis-pode-ser-perigoso-veja-dicas-e-entenda-riscos.ghtml


