Por que você não emagrece, mesmo fazendo tudo certo? Conheça motivos
Você treina com regularidade, controla a alimentação e segue à risca o que dizem sobre estilo de vida saudável, mas o número na balança permanece o mesmo. A frustração é comum e, com ela, surge a pergunta inevitável: “O que mais falta para eu conseguir emagrecer?”…
Apesar de parecer simples na teoria, o processo de emagrecimento envolve variáveis que vão muito além da equação “comer menos e se exercitar mais”. Em muitos casos, há fatores silenciosos que comprometem os resultados, mesmo quando há esforço e disciplina.
Foto: (Reprodução/Internet)
Se você sente que está fazendo tudo certo (mas de verdade), e ainda assim não vê progresso, é hora de olhar com mais profundidade. A seguir, VivaBem investiga os principais motivos que podem estar impedindo sua perda de peso e mostra por onde começar a corrigir o rumo. Afinal, entender o que está por trás da dificuldade é o primeiro passo para uma mudança real e duradoura.

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Hormônios, metabolismo e sono
Sabia que alguns desequilíbrios hormonais podem funcionar como verdadeiros sabotadores do emagrecimento, mesmo quando há dedicação consistente à dieta e aos treinos? O endocrinologista Renato Zilli, do Hospital Sírio-Libanês (SP), destaca três causas hormonais que merecem atenção nesses casos: “Quando o paciente não perde peso mesmo se esforçando, investigamos hipotireoidismo (tireoide lenta), resistência à insulina e alterações dos hormônios sexuais, como na síndrome dos ovários policísticos.”
O hipotireoidismo desacelera o metabolismo, tornando a queima de calorias mais difícil. Já a resistência à insulina favorece o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal. E, no caso da SOP (síndrome dos ovários policísticos), os impactos vão além: “A SOP provoca desequilíbrios hormonais que aumentam o apetite, inflamam o organismo e dificultam a resposta ao exercício e à dieta”, explica Zilli.
Outro fator frequentemente negligenciado, mas fundamental para o equilíbrio metabólico, é a qualidade do sono. O médico do esporte Sérgio Pistarino pós-graduado em fisiologia e biomecânica pela USP, reforça a importância desse aspecto: “É durante o sono que o corpo regula hormônios-chave como cortisol, leptina e grelina. Quando dormimos mal, sentimos mais fome, temos menos energia e o organismo entra em estado de alerta, o que dificulta o emagrecimento.”
Além disso, o estresse crônico entra como mais um antagonista nesse processo, contribuindo para a inflamação do corpo e o acúmulo de gordura visceral, aquela que se aloja ao redor dos órgãos e está associada a maiores riscos à saúde.
Muito além da contagem de calorias
Você se atenta aos detalhes da rotina? Pois deveria. Um dos erros mais comuns no processo de emagrecimento é subestimar o consumo calórico real, especialmente o que “escapa” da contagem. “É preciso incluir tudo o que é ingerido fora das refeições principais, até mesmo beliscos ou bebida alcoólica”, alerta a nutricionista Beatriz Melo, do Hospital Santa Paula (SP).
Além da alimentação, o gasto energético total também depende de aspectos que vão além da academia. Melo lembra que o metabolismo basal, ou seja, a energia que o corpo consome apenas para manter suas funções básicas, mesmo em repouso, e a atividade física cotidiana têm grande peso no balanço calórico. Ou seja, mesmo que sua frequência no treino seja regular, a soma da movimentação fora dele e do seu metabolismo individual tem impacto direto nos resultados.
Essa variabilidade reforça a importância de estratégias personalizadas. Por isso, a nutróloga Isolda Prado, diretora da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia) e professora da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), chama atenção para os riscos das dietas genéricas, populares nas redes sociais.
“Esses planos ignoram a individualidade metabólica, o gasto energético, o ciclo hormonal (no caso das mulheres), o ritmo circadiano e até preferências alimentares.” Beatriz completa: “Entre os resultados? Perda de peso inicial seguida de efeito rebote, desregulação hormonal e compulsão.”…
Além disso, a nutróloga destaca fatores frequentemente ignorados e que podem frear o metabolismo: “É fundamental investigar se há realmente um déficit calórico, se existe disbiose intestinal (desequilíbrio na flora intestinal que compromete a absorção de nutrientes e favorece inflamações), inflamações silenciosas ou deficiências nutricionais, como baixos níveis de vitamina D, magnésio, zinco e B12 —nutrientes para o funcionamento adequado do metabolismo, do sistema imunológico e da produção de energia.”
Outra recomendação pertinente é a conscientização alimentar. “Muitas calorias se disfarçam em bebidas açucaradas, oleaginosas consumidas sem controle, molhos industrializados e produtos ‘fit’, mas altamente energéticos”, diz Isolda Prado. Beatriz Melo recomenda anotar tudo o que se consome para ter controle, aprender a ler rótulos e buscar equilíbrio mesmo nos momentos de “folga” da dieta.
Treino personalizado e avaliação completa
O problema ainda pode estar no treino? “Sim. Afinal, cada corpo reage de forma diferente aos estímulos. Não existe um treino universal”, alerta o médico do esporte Sérgio Pistarino.
Outro vilão pouco reconhecido é o excesso de treino sem a devida recuperação, que pode aumentar os níveis de cortisol e, mais uma vez, dificultar a queima de gordura.
Falando nela, a balança, por si só, está longe de ser o melhor parâmetro para acompanhar o emagrecimento. “Avaliações como bioimpedância, dobras cutâneas ou exames de composição corporal mais detalhados são ferramentas valiosas para diferenciar perda de gordura de perda de massa magra, muscular”, explica a nutricionista Beatriz Melo.
Exames laboratoriais também entram como aliados na investigação. Eles ajudam a mapear o metabolismo, a função hormonal e possíveis entraves ao progresso. O endocrinologista Renato Zilli lista os principais: “TSH, T4 livre, insulina, glicemia, cortisol, testosterona, estradiol, DHEA, vitamina D e perfil lipídico. Em alguns casos, também analisamos marcadores inflamatórios e parâmetros ligados à qualidade do sono.”
Para que todo esse esforço se converta, de fato, em emagrecimento sustentável, é preciso integrar saberes e práticas. “A abordagem multidisciplinar é fundamental. Trabalhar em equipe, com endocrinologista, nutricionista, nutrólogo, médico do esporte, educador físico e apoio emocional, permite entender o quadro como um todo e destravar o processo de maneira eficaz”, conclui o médico Sérgio Pistarino.
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Por: Marcelo TestoniColaboração para VivaBem
Fonte: Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês (SP)
Sérgio Pistarino, médico do esporte pós-graduado em fisiologia e biomecânica pela USP
Beatriz Melo, nutricionista do Hospital Santa Paula (SP)
Isolda Prado, nutróloga diretora da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia) e professora da UEA (Universidade do Estado do Amazonas)
Transcrito: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2025/08/11/treina-faz-dieta-e-nao-emagrece-veja-por-onde-comecar-a-investigar.htm


