O que significa “quebrar” na corrida? Médica do esporte explica
Ortopedista Ana Paula Simões comenta sobre o momento em que o corpo atinge a exaustão durante os treinos e provas
“Quebrar” na corrida é um fenômeno comum, especialmente em longas distâncias, que envolve tanto aspectos físicos quanto mentais.
Senti hoje novamente e confesso que os dois últimos longos não entreguei o treino. O que pode ter acontecido?
Quando o corredor “quebra”, seu corpo atinge um ponto de exaustão devido a fatores como a depleção de glicogênio muscular, que é a principal fonte de energia durante o exercício prolongado, e o acúmulo de lactato, que contribui para a sensação de fadiga muscular.
Homem exausto após quebrar em treino de corrida | Foto: (Reprodução/Internet)
Além disso, ocorre um aumento dos hormônios do estresse, como o cortisol, que, em excesso, pode piorar a percepção de esforço e influenciar negativamente o desempenho.
Essa condição é influenciada por uma combinação de fatores, incluindo estratégias inadequadas de ritmo e nutrição. Muitos corredores iniciam a prova com uma velocidade acima de sua capacidade aeróbica, o que leva a um consumo acelerado de glicogênio. Quando o glicogênio se esgota, o corpo é forçado a usar a gordura como fonte de energia, um processo mais lento e menos eficiente, resultando em uma drástica queda de ritmo.

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Psicologicamente, “quebrar” está ligado à percepção de esforço, onde o atleta, ao sentir um cansaço extremo, perde a motivação para continuar. Estratégias para evitar esse ponto incluem treinos de resistência com adaptações de uso de gordura como combustível, hidratação adequada e a ingestão de carboidratos durante a prova para manutenção dos níveis de glicogênio.
E foi literalmente o que houve comigo: sai mais forte que o planejado para acompanhar os meninos e não suportei.
Seguimos aprendendo!
Me conta se já aconteceu com você!
Referências:
McKelvie, R.S., et al. (2002). “Exercise endurance in runners: role of muscle glycogen depletion and lactate accumulation.” Sports Medicine, 32(7), 413-426.
Joyner, M.J. (1993). “Physiological limiting factors and distance running: Influence of the cardiovascular system on performance.” Journal of Sports Sciences, 11(S1), S13-S20.
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Por: Ana Paula Simões
Fonte: Ana Paula Simões, Professora instrutora e mestre em Ortopedia e Traumatologia do Esporte pela Santa Casa de São Paulo e diretora da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte
Transcrito: https://ge.globo.com/eu-atleta/treinos/post/2025/11/18/o-que-significa-quebrar-na-corrida-medica-do-esporte-explica.ghtml


