O que é o bebê reborn? Entenda tendência que viralizou
Se tem algo que se tornou um dos assuntos mais falados nas redes sociais nos últimos meses foi o bebê reborn. O produto chamou a atenção de muitos por seu custo alto e aparência realista. A produção artesanal desses bonecos é pensada nos mínimos detalhes, com elementos como peso, veias, cabelos, cheiros e textura da pele que se assemelha a um bebê humano. Muitos adquirem esse item para colecionar, mas eles podem ir além, sendo até mesmo usados para fins terapêuticos.
O termo “reborn” significa “renascido” e sua origem remonta à época da Segunda Guerra Mundial, em que bonecas antigas eram restauradas para crianças, conforme um estudo feito por pesquisadores da UniEnsino. Mas a popularização do bebê reborn aconteceu por volta da década de 1990, nos Estados Unidos, quando o produto passou a ser colecionável.
Foto: (Reprodução/Internet)
Talita Fabiano de Carvalho, conselheira do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP), diz que o produto pode ativar sentimentos de nostalgia, vínculo e fantasia. “Para colecionadores, o objeto pode representar a idealização da infância, do cuidado e da beleza”.
Já no âmbito terapêutico, o boneco pode ser usado como um auxílio para diversos contextos que envolvem o emocional e o cognitivo – desde que tenha o acompanhamento de um profissional da área da saúde, que orienta os caminhos adequados para cada quadro.

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Bebê reborn: quando pode ser usado de forma terapêutica?
Conforme Talita, quando o bebê reborn é usado com acompanhamento psicológico, ele pode ser um “instrumento simbólico de reparação e reestruturação emocional, promovendo saúde mental e alívio de sofrimento psíquico”. É justamente essa função terapêutica que pode ajudar pessoas em processos de luto ou com sentimentos de solidão.
Um estudo publicado na American Journal of Play destacou que esse tipo de intervenção terapêutica é capaz de estimular e melhorar relacionamentos sociais. Neste artigo da pesquisadora Emilie St-Hilaire, é destacado que a relação positiva com bonecos pode fazer a pessoa demonstrar um desejo de conexão social.
“Alguns profissionais de psicologia, terapia ocupacional e gerontologia também utilizam bebês reborn em contextos clínicos e institucionais, como em idosos com demência ou Alzheimer”, comenta Talita.
A Doença de Alzheimer, caracterizada por demência neurodegenerativa no público da terceira idade, causa problemas de cognição e memória. Um artigo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) analisou outros documentos e concluiu que há indicações de que a terapia com bebê reborn proporciona alívio em sintomas comportamentais, cognitivos e emocionais. Isso porque o objeto pode ser um meio para expressão de afeto, influenciando a saúde mental desses pacientes – como a diminuição da sensação de falta de propósitos.
Talita explica que o uso dos bonecos em pacientes com a patologia também serve para estimular a memória afetiva.
Mas é preciso compreender que a ideia da terapia com bebê reborn nos casos citados acima não significa estimular um cenário fantasioso. Por isso, Talita ressalta: “O uso terapêutico exige acompanhamento ético e cuidadoso, para que o objeto não substitua o vínculo humano, mas sim que o simbolize”.
Bebê reborn: quando pode ser usado de forma negativa?
O uso inadequado do bebê reborn pode ser prejudicial à saúde – Foto: (Reprodução/Internet)
Quando o bebê reborn é usado de uma maneira que impeça a pessoa de estabelecer vínculos reais ou de lidar com as dores de uma situação, o objeto pode ser prejudicial à saúde psicológica. “Também é problemático quando o objeto assume um lugar de negação da realidade ou de substituição integral de relações humanas”, adiciona a conselheira do CRP-SP.
No âmbito terapêutico, o boneco é apresentado como um símbolo e seu manejo por um profissional busca estimular a interação social, bem como promover o bem-estar. Mas quando há a recusa em reconhecer essa condição simbólica (ou que o item é uma peça para colecionar), isso pode indicar um sofrimento psíquico intenso.
Talita destaca que esse sofrimento pode ser ocasionado por quadros dissociativos ou depressivos, principalmente se a pessoa abandona as relações sociais ou ocupa todo o seu cotidiano com a atenção ao bebê reborn.
Por que o bebê reborn se tornou um fenômeno?
De acordo com a especialista, a febre do bebê reborn nas redes sociais pode estar relacionada a alguns fatores. Um deles é a estética e o artesanato que envolvem a produção dos bonecos. Ela também cita que esse fenômeno pode ter sido causado pela busca de um conforto emocional e pelo culto à maternidade idealizada.
Talita diz que a transferência do afeto para objetos oferece ausência de frustração e previsibilidade – termo que se refere a algo que age de uma forma esperada. Ainda, outra característica atraente para muitas pessoas é que o bebê reborn é capaz de proporcionar uma sensação de algo que pode ser controlado.
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Por: Jennifer de Carvalho
Fonte: Talita Fabiano de Carvalho, conselheira do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP)
Transcrito: https://minhasaude.proteste.org.br/o-que-e-o-bebe-reborn-entenda-tendencia-que-viralizou/



