NotíciasNutrição

Não é só para crianças: leite previne perda óssea e doenças crônicas

A associação entre consumo de leite e derivados e saúde óssea é quase sempre imediata. Como fonte natural de cálcio, esses alimentos, de fato, desempenham papel fundamental no crescimento e fortalecimento do nosso esqueleto, especialmente durante a infância e adolescência mas também durante a vida adulta e na maturidade.

Um dos principais benefícios é a prevenção da sarcopenia, que é a perda de massa muscular que afeta principalmente os idosos. Um estudo realizado na Austrália, por exemplo, acompanhou ao longo de dois anos 60 instituições de cuidados a idosos para verificar se o consumo de laticínios reduziria o índice de fraturas entre seus residentes.

Leite é rico em cálcios e tem papel fundamental no fortalecimento dos ossos – Foto:(Reprodução/Internet)

Enquanto 30 delas mantiveram seus cardápios normais, as outras 30 instituições adicionaram mais leite, queijo e iogurte, aumentando a ingestão de duas porções para três porções e meia por dia. Essas últimas apresentaram como resultados 33% menos fraturas, 46% menos fraturas de quadril e 11% menos quedas entre os idosos.

Já na Finlândia, o estudo prospectivo Kuopio Osteoporosis Risk Factor and Prevention (OSTPRE), publicado em junho deste ano, acompanhou 14.220 mulheres por 25 anos, com idade média inicial de 52,3 anos, e mostrou que o maior consumo de laticínios líquidos reduziu o risco de fratura geral e de fratura osteoporótica.

Conheça a nossa linha de produtos na pagina em exibição no INSTAGRAM clique na imagem acima

Muito além dos ossos

No entanto, os benefícios do consumo de leite e derivados vão além da estrutura óssea. Estudos recentes apontam que o consumo regular também favorece a saúde muscular e cardiovascular. Entre os efeitos benéficos estão a redução da pressão arterial, a prevenção de doenças cardíacas, o controle da glicemia e o combate à diabetes tipo 2 e à síndrome metabólica.

No caso de hipertensão, em Singapura, em uma pesquisa envolvendo homens e mulheres com idade entre 45 e 75 anos, a partir de questionário de frequência alimentar, constatou que consumidores de lácteos se mostravam menos propensos a apresentar sinais de hipertensão.

Esse efeito protetor está ligado à combinação equilibrada de cálcio, potássio, fósforo e proteínas presentes na composição desses alimentos. Em um copo de 240 ml de leite, por exemplo, há de 250 a 300 mg de cálcio, mineral que atua em diversas funções fisiológicas essenciais, além da formação e manutenção óssea, como:

– Contração muscular, incluindo a musculatura lisa;

– Transmissão de impulsos nervosos;

– Processo de coagulação sanguínea;

– Atividade enzimática intracelular e regulação de enzimas e hormônios;

– Estabilidade de membranas celulares;

– Manutenção da pressão arterial

Por outro lado, quando a ingestão é insuficiente, em todas as fases da vida, o organismo retira o cálcio dos ossos para manter os níveis do mineral no sangue, priorizando as funções vitais. Ao longo do tempo, no entanto, esse mecanismo leva à perda de densidade mineral óssea.

Quem precisa de mais atenção no consumo do leite

Foto:(Reprodução/Internet)

As crianças e os adolescentes são os que mais precisam de atenção no consumo de lácteos devido à importância do cálcio para a saúde de forma global. Nessas fases, a ingestão adequada é importante para garantir o pico de massa óssea, que ocorre até o início da vida adulta.

Quando a absorção do cálcio é inadequada, em crianças e jovens, as perdas não são plenamente recuperadas, já que essas reservas são formadas neste período e são fundamentais, aliadas ao exercício físico regular, na prevenção da desmineralização óssea ao longo da vida.

Além deles, idosos, gestantes e lactantes também são indivíduos que devem prestar atenção ao consumo de leite e derivados. Nos idosos, o cálcio é importante para a manutenção da massa óssea e na prevenção de osteopenia e osteoporose. Com o envelhecimento, a absorção intestinal e reabsorção renal de cálcio, mediados pela vitamina D ativa e pelo hormônio paratormônio, responsável por regular os níveis de cálcio, são reduzidas —o que favorece o surgimento da osteopenia e osteoporose.

De acordo com os especialistas, o consumo diário recomendado é:

– Dos 12 aos 24 meses: duas a três porções

– Crianças (quatro a oito anos): duas porções.

– Adolescentes: três a quatro porções, devido ao intenso crescimento.

– Adultos: duas a três porções.

– Idosos: três porções diárias.

Fontes de cálcio e outros minerais

Além do leite e seus derivados, existem outros alimentos que também são considerados fontes importantes de cálcio e outros minerais importantes para a saúde. São eles:

– Cálcio: bebidas vegetais fortificadas (soja, aveia, amêndoas, arroz), vegetais verdes escuros, sementes (gergelim, chia), oleaginosas, peixes pequenos consumidos com espinha (sardinha), tofu preparado com sais de cálcio, grão-de-bico, linhaça;

– Proteínas: carnes, ovos, leguminosas;

– Fósforo: carnes, peixes, oleaginosas e sementes;

– Potássio: banana, batata, feijão, abacate:

Fatores que influenciam a saúde óssea

Além do consumo de leite e de outras fontes de cálcio, outros fatores também são importantes para garantir a saúde dos ossos. São eles:

– Exposição solar adequada;

– Atividade física regular, especialmente exercícios com impacto e resistência;

– Consumo adequado de proteínas;

– Ausência de hábitos ruins, como tabagismo, consumo excessivo de álcool e sedentarismo;

– Genética e estado hormonal;

– Ingestão de vitamina D, via alimentos ou suplementos (quando recomendado por um profissional da saúde).

Compartilhe com os amigos essa matéria via:

WhatsApp Face Book e Telegram

Por: Janaína Silva Colaboração para VivaBem

Fonte: Marcella Garcez Duarte, nutróloga, diretora e professora da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia) e membro da câmara técnica de nutrologia do CFM (Conselho Federal de Medicina)

Olga Amancio, presidente do conselho deliberativo da SBAN (Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição) e professora sênior do departamento de pediatria da EPM (Escola Paulista de Medicina) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)

Rodrigo Weyll Pimentel, nutrólogo, chefe da divisão de gestão do cuidado do HUPES (Hospital Universitário Professor Edgard Santos) da UFBA (Universidade Federal da Bahia), vinculado à Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares)

Transcrito: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2025/09/10/consumo-alem-da-infancia-leite-previne-perda-ossea-e-doencas-cronicas.htm

Deixe uma resposta