Descubra por que você não deveria grelhar essas carnes
O consumo de carnes processadas continua a gerar debates entre especialistas em saúde e segurança alimentar. Apesar da popularidade de embutidos como salsichas e linguiças, pesquisas apontam que o uso de nitritos nesses produtos representa um risco elevado. O problema cresce ainda mais quando essas carnes são preparadas em altas temperaturas, como em grelhas ou churrasqueiras.
Enquanto parte da indústria defende o uso do aditivo como forma de garantir cor, sabor e conservação, entidades de saúde e pesquisadores alertam para os perigos. Segundo eles, a ingestão frequente desses produtos pode expor consumidores a substâncias cancerígenas.
O que são nitritos e nitratos usados em carnes processadas?
Consumidores devem se atentar ao risco de nitritos em carnes processadas | Foto:(Reprodução/Internet)
Conforme o Metrópoles, os nitritos, especialmente o nitrito de sódio (E 250), são amplamente utilizados pela indústria de alimentos. Eles impedem a ação de bactérias, intensificam a cor rosada e conferem sabor característico às carnes processadas. Dessa forma, tornam-se práticos e atraentes para fabricantes e consumidores.
No entanto, seu uso levanta sérias preocupações. Os nitritos podem ser derivados do nitrato, composto natural presente no solo e também em vegetais como beterraba, rúcula e espinafre. Dentro do organismo, essa substância sofre transformações que podem gerar efeitos nocivos, incluindo dificuldades no transporte de oxigênio pelo sangue.
Além disso, ao serem submetidos a altas temperaturas, os nitritos reagem com aminas da carne e formam nitrosaminas, substâncias reconhecidas como cancerígenas. Esse processo torna-se comum em práticas culinárias como grelhar ou assar, o que preocupa ainda mais autoridades de saúde.

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Qual é o risco do consumo frequente de embutidos?
A maioria das nitrosaminas já foi classificada como cancerígena em estudos com animais. Em março de 2023, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) publicou um relatório que confirmou o potencial cancerígeno e genotóxico de dez dessas substâncias, incluindo NDMA, NMEA e NDPA.
Os níveis de ingestão de nitrosaminas entre diferentes faixas etárias na União Europeia estão tão elevados que representam ameaça concreta à saúde pública. Hoje, o bloco recomenda limite diário de 0,07 mg de nitrito por quilo de peso corporal. Em um adulto de 70 quilos, isso significa 4,9 mg por dia — quantidade facilmente alcançada com quatro salsichas ou 200 gramas de presunto cozido.
Durante churrascos, esse limite pode ser ultrapassado em poucas horas, já que outros alimentos também contêm traços da substância. Assim, a exposição cumulativa preocupa especialistas que pedem medidas mais restritivas.
O que dizem as novas regulamentações da União Europeia?
A partir de outubro de 2025, entra em vigor o Regulamento 2023/2108 da União Europeia. A medida reduz em cerca de 20% os níveis permitidos de nitritos (E 249-250) e nitratos (E 251-252) em carnes processadas. Ainda assim, pesquisadores consideram a mudança insuficiente.
A Coalizão Contra os Nitritos, liderada por especialistas de Harvard, defende a proibição total do aditivo. “Embora os limites mais rigorosos para os nitritos sejam bem-vindos, eles não são suficientes, pois os nitritos em si — independentemente da quantidade adicionada — podem formar nitrosaminas cancerígenas no corpo humano, especialmente quando a carne processada é cozida em altas temperaturas”, disse Chris Elliott, professor de Segurança Alimentar da Coalizão, à DW.
Ele acrescentou: “Reduzir a quantidade pode diminuir um pouco o risco, mas não pode eliminá-lo. A verdadeira solução é remover completamente a causa. Por que introduzir um produto químico comprovadamente perigoso nos alimentos sem uma boa razão e em quantidades arbitrárias?”.
Existem alternativas seguras ao uso de nitritos?
Instituições de pesquisa na Alemanha e em outros países europeus vêm testando substitutos para os nitritos. O Instituto Max-Rubner investiga compostos vegetais ricos em polifenóis, conhecidos por suas propriedades antimicrobianas e antioxidantes. Os estudos buscam verificar se esses extratos conseguem manter sabor, aparência e durabilidade semelhantes aos embutidos tradicionais.
Outros países, como França, Itália e Reino Unido, já oferecem no mercado produtos sem nitritos, mas com características comparáveis às versões tradicionais. Elliott reforçou: “Felizmente, agora existem alternativas comprovadas e mais seguras que permitem a fabricação de salsichas deliciosas, como as frankfurters, sem nitritos”.
Segundo ele, muitas dessas soluções usam extratos naturais de frutas e oferecem benefícios semelhantes sem gerar substâncias nocivas. “A ciência e a tecnologia estão disponíveis. O que precisamos agora é da coragem dos reguladores e da indústria para agir”, afirmou.
De que forma o consumidor pode se proteger?
Autoridades como o Instituto Federal Alemão de Avaliação de Riscos recomendam cautela. “Do ponto de vista da avaliação de riscos, carnes curadas devem ser consumidas apenas ocasionalmente e em porções moderadas“, destacou o BfR.
A recomendação é observar sempre os rótulos dos alimentos embalados. Como a presença de nitrato e nitrito deve ser informada entre os ingredientes, o consumidor pode optar por versões sem esses aditivos. Além disso, variar a dieta e priorizar carnes frescas ajuda a reduzir os riscos de exposição.
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Por: Manoela Cardozo — Estimativa de leitura: 6 min
Fonte: Chris Elliott, professor de Segurança Alimentar da Coalizão
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Transcrito: https://minhasaude.proteste.org.br/descubra-por-que-voce-nao-deveria-grelhar-essas-carnes/


