Ainda fala em gordura trans? Entenda por que ela não é usada desde 2023
Ainda fala em gordura trans? Entenda por que ela não é usada desde 2023
Durante anos, a gordura trans fez parte da rotina alimentar de milhões de brasileiros. Presente em biscoitos, sorvetes, margarinas, salgadinhos e bolos industrializados, ela foi criada artificialmente e era usada pela indústria por conferir sabor, textura, durabilidade e resistência ao calor.
O que a ciência mostrou ao longo do tempo, no entanto, foi que o custo à saúde da população era alto demais. Comprovadamente ligada a doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade e processos inflamatórios, a gordura trans se tornou alvo de ações regulatórias em vários países.
O nutricionista Alan Tiago Scaglione, da Estima Nutrição, explica que um passo importante do processo regulatório começou quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) passou a recomendar que poderia haver até, no máximo, 2% de gordura trans nos alimentos industrializados,
em 2017. “Antes disso não tinha nenhum controle do uso da gordura trans nos alimentos”, esclarece.
Foto: (Reprodução/Internet)
Já em 2023, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) baniu definitivamente a gordura trans de alimentos industrializados no Brasil, por meio da resolução RDC nº 632/2022. Desde então, a produção, importação, o uso e a comercialização de óleos e gorduras
parcialmente hidrogenados estão proibidas no território nacional.

Conheça a nossa linha de produtos na pagina em exibição no INSTAGRAM clique na imagem acima
Por que a gordura trans faz tão mal?
A gordura trans industrial é produzida quando óleos vegetais líquidos passam por um processo de hidrogenação parcial, tornando-se sólidos à temperatura ambiente. Essa modificação química altera profundamente o comportamento do alimento no organismo humano, com impactos negativos à saúde.
Estudos mostram que o consumo de gordura trans aumenta o nível de LDL (colesterol “ruim”), reduz o HDL (colesterol bom), favorece a inflamação crônica, contribui para o acúmulo de gordura visceral e está fortemente associado ao risco de infarto, AVC e morte súbita.
Além disso, ela pode prejudicar o controle da glicemia, impactar negativamente o metabolismo e favorecer o ganho de peso, mesmo em pequenas quantidades consumidas regularmente.
Substituta também pode ser perigosa
O fim da gordura trans criou um desafio para a indústria: encontrar alternativas que permitissem manter as características como textura, crocância, estabilidade e sabor nos alimentos. Foi nesse contexto que se aumentou o uso da gordura interesterificada.
“As gorduras interesterificadas são um tipo de gordura que passa por um processo chamado interesterificação, em que os ácidos graxos de diferentes óleos são rearranjados para alterar a estrutura das gorduras”, explica o nutrólogo Felipe Grazoni. Nesse processo, moléculas que não existem na natureza são produzidas a partir de reações químicas ou enzimáticas que solidificam os óleos vegetais, ou seja, o objetivo da interesterificação é fazer com que o óleo se torne mais sólido.
A consistência dessa gordura ajuda a melhorar a estabilidade e a durabilidade dos alimentos, mas ela ainda não é isenta de riscos. “Estudos sugerem que o consumo excessivo dessas gorduras também pode estar associado a alterações nos níveis de colesterol, aumentando o risco de doenças cardiovasculares, além de potencialmente contribuir para inflamações e resistência à insulina”, diz Grazoni.
Por isso, é importante consumir esses produtos com moderação e sempre preferir alimentos mais naturais e menos processados. “A gordura interesterificada não sofre a saturação que a gordura trans sofre, porém, ela também é prejudicial. Menos prejudicial que a trans, mas, ainda assim, prejudicial à saúde com uso a longo prazo”, completa Scaglione.
Onde a gordura interesterificada aparece?
Com nomes técnicos que muitas vezes passam despercebidos, a gordura interesterificada pode ser identificada nos rótulos como:
– Gordura vegetal interesterificada
– Gordura vegetal modificada
– Gordura especial
– Mistura de óleos vegetais
Ela é comum em:
– Bolachas recheadas.
– Biscoitos industrializados
– Bolos prontos para consumo
– Sorvetes
– Margarinas
– Maioneses
– Pães industrializados
– Macarrão instantâneo
– Snacks (como batata chips e pipoca de micro-ondas)
– Produtos congelados prontos para fritar, como nuggets e hambúrgueres.
Mesmo com o banimento da gordura trans, é preciso manter a atenção nos rótulos e buscar escolhas mais conscientes. Leia sempre a lista de ingredientes e, se vir “gordura vegetal interesterificada” ou “gordura vegetal modificada”, saiba que se trata de uma gordura artificial.
Menos industrializados, mais alimentos naturais
O banimento da gordura trans não muda uma verdade que já sabemos há anos: o ideal para a saúde é evitar ao máximo o consumo de produtos industrializados e ultraprocessados e preferir sempre alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, legumes, grãos, carnes frescas e ovos.
“Por mais que esse banimento da gordura trans seja um avanço importante para a saúde pública, ela não garante que todos os produtos se tornem automaticamente saudáveis”, enfatiza Grazoni. “É sempre bom verificar o rótulo e entender sobre possíveis substitutos de produtos por outros que são tão danosos quanto a gordura trans ao organismo.”
Compartilhe com os amigos essa matéria via:
WhatsApp Face Book e Telegram
Por: Fausto Fagioli FonsecaColaboração para o VivaBem
Fonte: Alan Tiago Scaglione, nutricionista da Estima Nutrição, especialista em suplementação nutricional aplicada ao exercício pela USP;
Felipe Gazoni, médico nutrólogo, pós-graduado pela Abran (Associação Brasileira de Nutrologia) em obesidade e sarcopenia.
Transcrito: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2025/06/26/voce-ainda-fala-dela-sabia-que-gordura-trans-foi-banida-dos-alimentos.htm


