Comida vicia?

Banner de dentro dos postsVeja a opinião de uma especialista sobre esse tipo de comportamento alimentar

Comida não vicia. O que ocorre é um processo comportamental no qual o alimento adquire funções adversas e, por isso, pode-se observar como aumentada a frequência com que se come e a alta quantidade do que é ingerido.
É fato que é bem comum ouvirmos pessoas dizendo que são viciadas em algum tipo de alimento?

Apesar de ser muito comum ouvirmos as pessoas afirmarem serem viciadas em algum tipo de alimento, deve-se saber que determinados alimentos têm ações no organismo que explicam tal sensação, ao ingerir carboidrato, por exemplo, o que ocorre é uma sensação de prazer. Então, a chance de comer muito mais vezes tal alimento é maior.

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Existem realmente alimentos que viciam? Quais são eles?

Os alimentos hipercalóricos são comumente mais ingeridos do que verduras, por exemplo, uma vez que produzem energia e, assim, ocorre a sensação de prazer relatada pelas pessoas.

A comida pode ser capaz de levar ao vício?

O comportamento de comer pode ter um considerável aumento em sua frequência quando acontece junto com a obtenção de atenção, afeto, interação social etc. O alimento por si só é apenas necessário para a sobrevivência, no entanto, pode acabar adquirindo função de bem-estar, a mesma que se sente quando se recebe um elogio, por exemplo, substituindo-o.

Quais comportamentos podem servir de gatilho para esse “vício”?

Ter um padrão de comportamento de fazer dietas e cirurgias para modelar o corpo rapidamente, pode ser condição para um comer compulsivo, como se o corpo fosse um objeto.

Existem estudos baseados neste tipo de vício? Tem comprovações científicas a esse respeito?

Existem muitas pesquisas sobre o comer compulsivo que explicam como o alimento que era necessário para a sobrevivência passou a ter outras funções conforme a evolução da espécie humana. Existe, inclusive, um departamento que estuda transtornos alimentares no Hospital das Clínicas em São Paulo.

É considerado patológico?

O comer compulsivo é considerado patológico – geralmente diagnosticado como um dos comportamentos do grupo de transtorno alimentar. As pessoas que comem demais, geralmente estão tentando utilizar a comida como um meio de controlar suas emoções e evitar entrar em contato com os problemas. Na clínica é muito comum ouvir relatos de que ao comer em excesso a pessoa se concentra por um período maior no que está fazendo – comendo, e, assim, não foca nas emoções “ruins”, desconfortáveis.

Como isso acontece?

A relação com a comida se inicia nos primeiros momentos de vida. O alimento é necessário para a sobrevivência de qualquer espécie e especialmente os seres humanos já nascem biologicamente sensíveis a certos tipos de alimentos que são transformados em fonte de energia ao serem ingeridos e que dão a sensação de prazer: carboidratos, gorduras e açúcares. Na medida em que a evolução da espécie humana foi ocorrendo, a comida passou a ter vários papéis contraditórios: é aquilo que alivia e dá prazer, ao mesmo tempo em que aumenta o peso e faz com que a pessoa sinta vergonha e culpa por ter comido. Ao ficar por um longo período sem se alimentar, é alta a chance da pessoa comer compulsivamente quando voltar a se alimentar devido às alterações que ocorrem no organismo nos períodos de jejuns e dietas.

Há um perfil definido de pessoas que são susceptíveis a este tipo de vício?

As pessoas que chegam ao consultório com a queixa de que comem excessivamente, geralmente também apresentam baixa autoestima, perfeccionismo, ansiedade alta e impulsividade.

Como podemos controlar?

Não pular refeições é imprescindível por conta do efeito que a privação de alimento pode ter, como já citado anteriormente. A mudança de padrões comportamentais é essencial para a adaptação a novos hábitos, nesse caso o grande desafio pode ser conseguir escolher um alimento que de imediato pode não dar a sensação de prazer, mas que a longo prazo tende a apresentar muito mais benefícios. Desenvolver o autoconhecimento também é essencial. Muitas pessoas dependem da avaliação do outro ou se comparam a parâmetros sociais para saber se está gordo ou magro por não ser insuficiente o que se sabe sobre elas mesmas. Procurar tratamento psicológico e, em alguns casos, de uma equipe multidisciplinar com psiquiatra, endocrinologista e nutricionista faz toda a diferença para a melhora do quadro. O que se percebe é que ainda hoje acontece muita recusa ao tratamento porque as pessoas relatam que o comer exagerado não é um problema que causa danos e prejuízos a sua vida.

Fonte:Karina de Lima Santos – Psicóloga (www.psicologoeterapia.com.br/karinasantos)

Transcrito:http://www.maisequilibrio.com.br/bem-estar/comida-vicia-m0715-50497.html

 

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