Alerta: doença celíaca pode danificar cérebro, sistema nervoso e ossos

Banner de dentro dos postsDesencadeado por uma reação ao glúten – proteína encontrada no trigo e alguns tipos de cereais -, problema exige restrições alimentares e acompanhamento nutricional

Maio é o mês da conscientização sobre a doença celíaca. Modismos à parte, é uma doença séria e muito subdiagnosticada. Hoje os avanços da ciência têm favorecido o entendimento da doença e o desenvolvimento de possíveis novos tratamentos.

A doença celíaca é uma doença autoimune desencadeada por uma reação ao glúten, proteína encontrada no trigo e alguns tipos de cereais. O glúten, ao entrar em contato com o organismo do celíaco, desencadeia uma resposta imunológica no intestino delgado. Essa resposta irá produzir, com um tempo, inflamação, causando danos ao intestino e dificultando a absorção de diversos nutrientes.

O dano intestinal pode causar perda de peso, diarreia e flatulência, entre outras condições clínicas importantes como, eventualmente, danos ao cérebro, sistema nervoso, ossos, fígado e outros órgãos por serem privados de nutrientes essenciais. Em crianças, a má absorção pode afetar o crescimento e o desenvolvimento. A irritação intestinal pode causar dor de estômago, especialmente depois de comer.

Não há cura para a doença celíaca. Mas seguir uma dieta rigorosa sem glúten pode ajudar a controlar os sintomas e promover a cicatrização intestinal.

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Qual a importância da genética na doença celíaca?
Diversos estudos ao longo do tempo já confirmaram a importância do componente genético para o desenvolvimento da doença celíaca. De fato, cerca de 40% da população possui o marcador de risco genético para desenvolvimento da doença celíaca. Mas, segundo estatísticas atuais, apenas 1% dessas pessoas desenvolvem a doença.

Os principais genes que influenciam o desenvolvimento da doença celíaca são os que codificam as moléculas HLA-DQ2 e HLA-DQ8. Sem a presença dessas moléculas nas células do sistema imune, é praticamente impossível que a doença celíaca ocorra. Ao mesmo tempo, só a presença delas não é suficiente, outros genes e fatores ambientais como a própria dieta e até mesmo o microbioma podem também influenciar no desenvolvimento ou não da doença. Um exame de DNA pode excluir a possibilidade de a pessoa ser celíaca, mas, se for positivo, não é certo que ela será.

Um estudo publicado recentemente na revista Science identificou um gene localizado na região do “DNA Lixo” (região do genoma que não produz proteínas e há algum tempo atrás se pensava que não tivesse função), que é fundamental para a regulação do processo inflamatório. Foi observado que esse gene não é desativado em celíacos, então o estímulo para a inflamação é constante e não só quando o organismo precisa. Isso faz com que ocorra um desequilíbrio, desencadeando a doença.

O conhecimento da predisposição genética auxilia muito principalmente para quem possui celíacos na família. De acordo com o risco genético apresentado, a pessoa pode decidir cortar ou não o glúten da dieta. Se realmente esse risco genético existir, não basta cortar o glúten, mas deve-se fazer um acompanhamento nutricional adequado para evitar a deficiência de nutrientes e ter cuidado com alimentos possivelmente contaminados com glúten. Nesses casos, a restrição deve ser rigorosa e não apenas uma moda passageira.

O conhecimento dos sintomas e das características da doença celíaca, assim como as novas ferramentas de diagnósticos, é fundamental, pois ainda hoje é uma doença sub-diagnosticada.

Referências:
A. Castellanos-Rubio, N. Fernandez-Jimenez, R. Kratchmarov, X. Luo, G. Bhagat, P. H. R. Green, R. Schneider, M. Kiledjian, J. R. Bilbao, S. Ghosh. A long noncoding RNA associated with susceptibility to celiac disease. Science, 2016; 352 (6281): 91
Hill ID, Fasano A, Guandalini S, Hoffenberg E, Levy J, Reilly N, Verma R. NASPGHAN Clinical Report on the Diagnosis and Treatment of Gluten Related Disorders. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2016 Mar 28.

Por Lia Kubelka Back
Florianópolis

LIA KUBELKA BACK

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Mestre em biotecnologia e doutora em biologia celular e do desenvolvimento com habilitação em genética molecular humana pela UFSC. É membro da American Society of Human Genetics e do Institute for Functional Medicine. Hoje é diretora técnica do Biogenetika, centro de medicina individualizada.

Transcrito:http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/saude/noticia/2016/05/alerta-doenca-celiaca-pode-danificar-cerebro-sistema-nervoso-e-ossos.html

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